Peça do Mês – Vaso de comunhão da Capela de São João Batista
Visita temática
O vaso de comunhão da Capela de São João Batista faz parte de um conjunto de uso litúrgico designado nos documentos da época como «serviço para a missa». Este conjunto, que inclui também duas galhetas com a respetiva salva, cálice, campainha, purificador e apagador, foi encomendado a Roma em 1744 e executado pelo ourives Antonio Gigli (c. 1704-1761?), destacando-se pela coerência estilística e funcional. Nos registos da Embaixada de Portugal em Roma, os pagamentos referem o «servizio per la messa d’argento dorato», denunciando o seu carácter de conjunto, onde, dentro do ritual eucarístico, cada objeto estava a adstrito a uma determinada função. O vaso de comunhão – como o nome indica – destinava-se à conservação e distribuição das hóstias aos fiéis aquando da comunhão.
A peça foi concebida segundo os mais exigentes padrões da ourivesaria romana de setecentos, tanto na qualidade técnica como na riqueza decorativa. A ornamentação revela um vocabulário do barroco tardio, com motivos vegetalistas, volutas e figuras de querubins, sublinhando a dimensão sagrada do objeto e a sua integração num programa artístico coerente. Como nas restantes alfaias da capela, a escolha de materiais nobres e o acabamento minucioso refletem a preocupação em criar objetos duradouros e opulentes, dignos das celebrações mais solenes.
Esta peça deve ser entendida no contexto mais amplo de uma encomenda régia de exceção, realizada em Roma, que incluiu não apenas a própria Capela de São João Batista mas também um vasto tesouro destinado a celebrar a liturgia com o máximo de aparato e dignidade. Reconhecendo o carácter excecional deste conjunto, o Estado português acaba de o classificar como Tesouro Nacional, a mais elevada classificação patrimonial atribuível a bens móveis em Portugal.
Marcação prévia obrigatória.
Participação paga: 3.50€ por pessoa
Máximo 20 participantes.
Marcações e/ou Informações
Museu de São Roque
213 235 449
museusaoroque@scml.pt

