Peça do Mês – Sacras de uso solene da Capela de São João Batista

03.06.2026 - 13h30

Visita guiada temática

Conservam‑se dois conjuntos de sacras no Tesouro da Capela de São João Batista, um composto por três peças em prata branca e dourada – destinado ao uso solene – e outro, também de três peças, em bronze dourado e pergaminho – destinado ao uso quotidiano. Ambos os conjuntos foram executados por Antonio Vendetti (1699–1796), ourives ativo em Roma e natural de Cottanello in Sabina, no Lácio. Curiosamente, estas sacras não constam na encomenda de ourivesaria enviada de Lisboa para Roma em 1744, com destino à Capela de São João Batista. No entanto, em dezembro de 1745, Vendetti recebeu já um primeiro pagamento por estas peças, o que indica que a encomenda terá sido feita pouco tempo depois.

Sabe‑se que Vendetti trabalhou, entre 1713 e 1717, na oficina do ourives romano Giovanni Francesco Arrighi, surgindo registado como lavrante a partir de 1723 e com patente própria desde 1737. Um dado relevante para a compreensão do seu percurso é o testemunho, prestado em 1756 por dois colegas, segundo o qual Vendetti não dominava o desenho artístico, recorrendo para o efeito, quando necessário, a mestres especializados como Lorenzo Morelli ou Luigi Landinelli. Apesar disso, aparece com frequência como perito avaliador de obras de ourivesaria realizadas para a Capela de São João Batista, estatuto atribuído apenas a um número muito restrito de ourives.

Sacras de uso solene

O uso de sacras está ligado às orientações litúrgicas definidas após o Concílio de Trento (1545–1563). As sacras serviam como auxiliares de leitura para o sacerdote celebrante, que as usava na recitação de determinados excertos imutáveis da missa. O seu uso é  referido pela primeira vez na obra Instructiones Fabricae et Supellectilis Ecclesiasticae, de São Carlos Borromeu, publicada em 1577, considerada o primeiro grande manual para a construção dos espaços sagrados após Trento. Inicialmente existia apenas uma sacra, com o Cânone Romano, mas, por razões práticas, o conjunto passou a integrar três: a central (de maiores dimensões), a da Epístola (à direita) e a do Evangelho (à esquerda).

As sacras de uso solene da Capela de São João Batista destacam‑se pela riqueza decorativa e pela ornamentação com inspiração arquitetónica e escultórica, incluindo vários elementos simbólicos e alegóricos, a descobrir ao vivo no Museu de São Roque aquando da visita Peça do Mês de maio. Limitamo-nos aqui a destacar, na sacra central, os vários elementos relacionados com a Eucaristia, em conjunto com várias alegorias às Virtudes Teologais; na sacra do lado do Evangelho vê-se um medalhão com São João Evangelista com uma imagem do Cordeiro Místico por cima, enquanto a sacra da Epístola, na mesma zona, apresenta o Senhor da Cana Verde sobrepujado pelo Lava-mãos de Pôncio Pilatos.

Reconhecendo o carácter excecional da coleção da Capela de São João Batista, o Estado português classificou-a no final de 2025 como Tesouro Nacional, a mais elevada classificação patrimonial atribuível a bens móveis em Portugal.

Marcação prévia obrigatória.
Participação paga: 3.50€ por pessoa
Máximo 20 participantes.

Marcações e/ou Informações
Museu de São Roque
213 235 449
museusaoroque@scml.pt