Peça do Mês – Purificador da Capela de São João Batista

02.09.2026 - 13h30

Visita temática

Um purificador de uso litúrgico é um recipiente de pequenas dimensões, dotado de tampa, que contém uma pequena porção de água usada pelo sacerdote para lavar o polegar e o indicador, depois de administrar a comunhão fora da missa. Pode apresentar asas (embora não seja este o caso) e, para evitar que a água se derrame, costuma ser usado sobre um prato de pequena dimensão, com o qual faz conjunto, como se pode observar nesta peça.

O purificador da Capela de São João Batista faz parte de um conjunto de uso litúrgico designado nos documentos da época como «serviço para a missa». Este conjunto, que inclui também duas galhetas com a respetiva salva, cálice, campainha, vaso de comunhão e apagador, foi encomendado a Roma em 1744 e executado pelo ourives Antonio Gigli (c. 1704-1761?), destacando-se pela coerência estilística e funcional. Nos registos da Embaixada de Portugal em Roma, os pagamentos referem o «servizio per la messa d’argento dorato», denunciando o carácter de conjunto, onde, no contexto do ritual eucarístico, cada objeto desempenhava uma função específica.

purificador de uso litúrgico

Antonio Gigli, ativo em Roma entre 1735 e 1756, pertenceu ao amplo círculo de mestres que trabalharam para as mais importantes encomendas pontifícias e régias do seu tempo. Reconhecido pela qualidade técnica das suas obras, participou na produção de várias peças destinadas à Capela de São João Batista, contribuindo para um conjunto que se destaca pela coerência estética, riqueza material e sofisticação iconográfica.

Profusamente decorado em linha com o gosto do barroco tardio, o purificador de Antonio Gigli apresenta um formato que evoca uma pia batismal. No topo da tampa destacam-se dois querubins, que funcionam simultaneamente como elemento decorativo e como pega para a abertura e utilização do recipiente.

Executado no contexto de uma excecional encomenda régia realizada em Roma, que incluiu não apenas a própria Capela de São João Batista, mas também um vasto tesouro destinado a celebrar a liturgia com o máximo de aparato e dignidade, o purificador de Antonio Gigli está, portanto, abrangido pelo Decreto n.º 7/2026, de 16 de fevereiro, que classificou a coleção da Capela de São João Baptista como conjunto de interesse nacional, vulgarmente designado por Tesouro Nacional.

Marcação prévia obrigatória.
Participação paga: 3.50€ por pessoa
Máximo 20 participantes.

Marcações e/ou Informações
Museu de São Roque
213 235 449
museusaoroque@scml.pt